IMAGINAR... - NO PAÍS DO FUTEBOL

 
- O Brasil venceu a Copa das Confederações e no futebol – “o maior espetáculo da Terra” (conforme anunciou a mídia televisiva do Governo Federal, promovendo o evento da FIFA); mas os investimentos na prática desportiva, na infraestrutura de esporte e lazer nas proximidades dos nossos lares, ainda estão por receber a atenção e investimentos.......

O Brasil venceu, em 30 de junho de 2013, a primeira das Copas, a das Confederações e o “espetáculo futebolístico” ganhou; a FIFA ganhou; ganhou o governo brasileiro e todo contexto empresarial e midiático envolvido - das centenas de câmeras, holofotes, “Fan-Fests” e foguetórios.
Todos estão aparentemente felizes: o Brasil ganhou !.E a vitória apazigua o espírito dos brasileiros que torcem pela nação, mesmo se nesse contexto do espetáculo futebolístico; mesmo se não temos os espaços para a prática desportiva e de lazer nas cercanias dos nossos lares.
O país da prática desportiva, tornou-se o país do espetáculo desportivo, do futebol e das outras modalidades, em que todos assistem ao vivo ou na tela, em vez de praticarem.
A III Conferência Nacional do Esporte, que envolveu mais de 3.112 municípios brasileiros e foi o resultado de ampla discussão sobre o esporte e lazer nacional; que envolveu diretamente 220 mil pessoas e trouxe como resultado o PLANO DECENAL DE ESPORTE E LAZER, aprovado nesta Conferência ainda em 2010. Também trouxe a constatação da necessidade de conhecermos essa realidade para requalificar toda a infraestrutura “em todos os municípios brasileiros” (eixo 9, ação 5 e metas – proposta oriunda de Fortaleza); pois o diagnóstico apontado era de desleixo, de abandono, da falta de animação e de orientação; de descaso do poder público e da falta de acesso aos equipamentos existentes; ou seja, não ofereciam os preceitos e os direitos constitucionais referentes ao lazer e nem a oportunidade da prática e de formação àqueles que tinham vocação e não encontravam a oportunidade no sistema tradicional de clubes e do pseudo amparo governamental dos seus atletas.
O Brasil por seus méritos trouxe as Copas e os Jogos Olímpicos para o país, o que foi uma conquista, mas esqueceu-se de, concomitantemente, melhorar a sua infraestrutura e de atender as necessidades subjetivas da sua população. E os jovens saíram às ruas pacificamente, demonstrando a sua insatisfação com o pouco que têm tido em educação, saúde, segurança; contra a corrupção e os gastos excessivos com a Copa; mas, principalmente, pela falta de perspectivas, de futuro e para clamar pela materialização dos seus sonhos e, as vezes enfrentando a polícia, tanques, “caveirões” nas manifestações que espraiaram-se pelo país e que foram contaminadas por vândalos.
-NÃO SÓ PÃO; NEM SÓ CIRCO ! - é o que foi dito nas entrelinhas.
O Brasil ganhou essa primeira Copa, cresceu e avançou com a demonstração dos seus jovens e de toda a sua população – nestes dois eventos históricos e simultâneos; cresceu através do seu espírito e gens de extrema vitalidade de princípios, de fé, de esperança e de lutas por um mundo melhor, mais justo e sustentável.
“Imaginemos”, como propunha Jonh Lenon, se depois da Copa das Confederações (porque antes não houve o interesse e nem a ação para tal) pudéssemos fazer a glória da vitória chegar aos mais remotos recantos e proximidade dos lares destes jovens e de toda a população, que esperam também por mais lazer, por mais esportes e, investíssemos nas suas carências locais de equipamentos e infraestrutura para a recreação, para a prática do esporte e do lazer; se disponibilizássemos de profissionais e de uma animação destes espaços - de orientação para o desenvolvimento pessoal e para a formação e, oferecêssemos alternativas à encampação que ocorre, dos nossos mais sagrados espaços – as praças e as áreas públicas – que hoje estão entregues à sua própria sorte, ao comércio informal, à criminalidade e ao abandono.
O Brasil, historicamente vem se destacando no cenário mundial como o país do futebol, mas não oferece as mínimas condições para o lazer saudável e para a prática desta modalidade esportiva – e nem de outras – para as crianças, para o jovem ou o idoso nas cercanias dos seus lares, nos bairros.
Essa deve ser a grande missão das entidades e do governo brasileiro em todas as cidades; os quais não podem fechar os olhos ao clamor das ruas e da insatisfação do seu povo e devem investir em ocupação saudável do tempo livre.
Imaginemos uma nova realidade; maior que a oriunda da satisfação e do orgulho de termos vencido um torneio, mesmo que sendo de nível global. Imaginemos partícipes e retomando o que antes éramos: “o país do futebol”; título que vinha da prática desportiva e não do espetáculo futebolístico, como hoje é; em que talentos despontavam desta práxis.
Os tempos são outros e, hoje só despontam aqueles que têm acesso a uma adequada infraestrutura, a centros de excelência e que, desde cedo, encontram a oportunidade de desenvolver os seus talentos. O futebol e todas as modalidades esportivas; os jovens e toda a população podem ser incentivados, se nos apercebermos desse pequeno mas importante detalhe; desenvolvermos fórmulas para que isso aconteça e investirmos também nessa linha, que não desmerece a outra, a do espetáculo.

e-mail:: fzornitta@hotmail.com

add a comment on this article